Fóssil encontrado no Egito pode mudar entendimento sobre origem dos primeiros primatas

- 08 abril





A descoberta de um fóssil no norte do Egito está levando cientistas a reverem a origem dos primatas modernos, grupo que inclui os humanos. O fragmento de mandíbula pertence a uma nova espécie, Masripithecus moghraensis, e sugere que a região teve papel mais importante na evolução desses animais do que se pensava.

O fóssil foi encontrado na região de Wadi Moghra e tem cerca de 17 a 18 milhões de anos, período do Mioceno. Até então, acreditava-se que os primeiros primatas modernos surgiram principalmente em áreas mais ao sul da África, mas a ausência de registros no norte deixava lacunas nessa história.

Mesmo com base apenas na mandíbula, os pesquisadores identificaram características que indicam uma alimentação variada, com capacidade de consumir frutas e também alimentos mais duros, como sementes. Essa adaptação sugere que a espécie conseguiu sobreviver em ambientes com mudanças climáticas e escassez de recursos.

O estudo aponta ainda que o norte da África e regiões próximas ao Oriente Médio podem ter sido um ponto-chave na origem e dispersão dos primatas. Isso porque, na época, a movimentação das placas tectônicas facilitava a migração de espécies entre continentes.

A descoberta reforça a importância de novas escavações na região, que pode revelar mais pistas sobre a evolução dos primatas. Para os cientistas, o fóssil pode representar uma peça fundamental para entender como surgiram os ancestrais dos macacos e dos seres humanos.

Gustavo Monge