Fóssil revela ataque de T-Rex que deixou dente cravado em dinossauro há 66 milhões de anos

- 20 fevereiro





Um crânio quase completo de um edmontossauro, descoberto em 2005 na Formação Hell Creek, em Montana, nos Estados Unidos, revelou uma evidência impressionante de predação pré-histórica: um dente de tiranossauro incrustado no osso da face do animal. O fóssil está exposto no Museu das Montanhas Rochosas e foi analisado por pesquisadores da Universidade Estadual de Montana e da Universidade de Alberta.

Os resultados do estudo foram publicados na revista científica PeerJ e trazem uma das evidências mais raras já registradas no campo da paleontologia: um dente preservado dentro do osso da presa.

A Formação Hell Creek é conhecida por abrigar fósseis do fim do Período Cretáceo, há cerca de 66 milhões de anos, quando grandes herbívoros como o Edmontosaurus conviviam com predadores como o Tyrannosaurus rex.

Embora marcas de mordidas em ossos não sejam incomuns, encontrar um dente cravado no crânio é extremamente raro. Segundo a equipe responsável, essa preservação permitiu identificar com precisão tanto a vítima quanto o agressor, funcionando quase como uma investigação forense do período Cretáceo.

Para confirmar a origem do dente, os cientistas compararam sua morfologia com a de todos os carnívoros conhecidos da região. O formato coincidiu com o de um tiranossauro. Tomografias computadorizadas realizadas no Hospital Bozeman Health Deaconess ajudaram a avaliar a profundidade da inserção e a fratura causada pelo impacto.

O dente foi encontrado na região nasal do edmontossauro, sugerindo que o ataque ocorreu de frente. A ausência de sinais de cicatrização indica que o animal pode ter morrido em decorrência da mordida — ou já estar morto quando foi atacado.

A força necessária para quebrar o dente e deixá-lo preso no osso reforça a hipótese de um ataque violento. Para os pesquisadores, o fóssil oferece um raro vislumbre do comportamento predatório do T-Rex e ajuda a reconstruir, com detalhes, um momento dramático ocorrido há milhões de anos.

Gustavo Monge