Jovem tetraplégico de MS recupera movimentos após tratamento experimental brasileiro
- 27 fevereiro
O sul-mato-grossense Luiz Otávio Santos Nunez, de 19 anos, voltou a apresentar movimentos voluntários 12 dias após receber aplicação da proteína polilaminina, medicamento brasileiro ainda em fase experimental. O jovem sofreu uma lesão medular grave em outubro do ano passado, após ser atingido acidentalmente por um tiro no pescoço, o que resultou em tetraplegia.
O procedimento foi realizado em 21 de janeiro, no Hospital Militar de Campo Grande, depois de autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária para início dos estudos clínicos de fase 1. A cirurgia durou cerca de 40 minutos e consistiu na aplicação de 1 ml da proteína diretamente na área da lesão, com auxílio de imagem em tempo real.
Duas semanas após o tratamento, Luiz conseguiu mover a mão sem ajuda, avanço considerado significativo pela equipe médica e pela família. Em vídeos publicados nas redes sociais, ele também aparece realizando atividades simples, como se alimentar sozinho.
O médico responsável pelo procedimento explicou que ainda não é possível afirmar se o paciente voltará a andar. A expectativa é de melhora gradual na qualidade de vida, com acompanhamento intensivo de fisioterapia e estímulos elétricos ao longo de aproximadamente um ano e meio.
A polilaminina foi desenvolvida pela pesquisadora Tatiana Coelho de Sampaio, em parceria com cientistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro, após duas décadas de estudos. Produzido a partir da proteína laminina, extraída da placenta, o medicamento já apresentou resultados promissores em testes iniciais e segue em fase de avaliação para comprovar segurança e eficácia.
Gustavo Monge