Mandíbula medieval revela uso de fio de ouro em tratamento dentário há 500 anos

- 12 maio





Uma descoberta arqueológica na Escócia revelou que procedimentos odontológicos sofisticados já eram realizados há cerca de 500 anos. Pesquisadores encontraram uma mandíbula medieval com uma ponte dentária presa por fio de ouro de 20 quilates, considerada a mais antiga já identificada no país nesse tipo de tratamento.

O achado ocorreu durante escavações na igreja de St. Nicholas East Kirk, onde arqueólogos localizaram aproximadamente 900 sepulturas e milhares de ossos humanos. Entre os materiais analisados, apenas uma mandíbula apresentava o procedimento odontológico.

Os pesquisadores identificaram um fino fio de ouro envolvendo dois dentes inferiores. A estrutura teria sido usada para sustentar um dente perdido, possivelmente o original do paciente ou uma prótese. O estudo foi publicado na revista científica British Dental Journal.

Apesar da tecnologia avançada para a época, os exames apontaram que o homem apresentava problemas bucais como cáries, placa bacteriana e doença periodontal. Ainda assim, o uso de ouro indica que ele provavelmente fazia parte da elite local, já que o metal era considerado extremamente valioso naquele período.

Os pesquisadores destacam que, entre os séculos 15 e 17, a odontologia ainda não existia como profissão formal. Tratamentos dentários eram realizados por barbeiros, curandeiros e até ourives. Para os arqueólogos, o achado ajuda a compreender como saúde, aparência e status social estavam ligados durante a Idade Média.

Gustavo Monge