Mistério da “Princesa de Bagicz” é esclarecido após nova análise científica na Polônia
- 03 março
Uma descoberta arqueológica ocorrida no fim do século 19, na região de Bagicz, na Polônia, voltou ao centro das atenções após novas análises revelarem a idade exata de uma jovem sepultada com ricos ornamentos de bronze. O caixão com os restos mortais teria deslizado de um penhasco à beira-mar, chamando a atenção pela riqueza dos objetos funerários e pelo aparente isolamento da sepultura. A jovem passou a ser conhecida como “Princesa de Bagicz”, em referência à possível posição de destaque que ocupava em sua comunidade.
Durante décadas, a datação do sepultamento permaneceu incerta. Estudos anteriores, conduzidos por pesquisadores das Universidades de Szczecin e Varsóvia, indicavam que o enterro teria ocorrido no fim da primeira metade do século 2. No entanto, uma análise por radiocarbono realizada em 2018 apontou que a jovem poderia ter morrido cerca de 100 anos antes do que se imaginava, gerando controvérsia entre os especialistas.
Para resolver a discrepância, cientistas da Universidade de Szczecin, da Universidade de Varsóvia e da Universidade de Ciência e Tecnologia AGH recorreram à dendrocronologia — técnica que analisa os anéis de crescimento da madeira. O estudo do caixão revelou que a árvore utilizada foi derrubada por volta do ano 120 d.C., data que coincide com a análise dos artefatos encontrados na sepultura. Segundo os pesquisadores, a madeira foi utilizada ainda fresca, prática associada à cultura Wielbark, presente na região à época.
A divergência anterior foi atribuída ao chamado “efeito reservatório”, que pode alterar resultados de datação por radiocarbono. Como a dieta da jovem incluía grande consumo de peixes de água doce, o carbono antigo presente nesses ambientes pode ter provocado uma datação artificialmente mais antiga. Com a nova conclusão, os cientistas acreditam que o caso ajuda a ampliar o entendimento sobre os rituais funerários da cultura Wielbark e agora planejam realizar análises de DNA e até uma possível reconstrução facial da chamada “Princesa de Bagicz”.
Gustavo Monge