Novo medicamento contra câncer de pâncreas emociona especialistas em congresso internacional

- 05 junho





Um estudo apresentado durante o maior congresso de oncologia clínica do mundo trouxe resultados promissores para pacientes com câncer de pâncreas metastático e emocionou médicos e pesquisadores. A pesquisa avaliou a eficácia do medicamento oral daraxonrasib, que demonstrou aumento significativo na sobrevida de pacientes quando comparado ao tratamento convencional com quimioterapia.

Os dados foram divulgados durante o congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), realizado em Chicago, nos Estados Unidos. Segundo relatos, a apresentação dos resultados foi recebida com aplausos e forte emoção por parte dos especialistas presentes, algo incomum em eventos científicos desse porte.

O daraxonrasib atua bloqueando a atividade da proteína RAS, responsável por estimular o crescimento descontrolado das células tumorais quando sofre determinadas mutações genéticas. Essas alterações estão presentes em mais de 90% dos casos de câncer de pâncreas e também podem ser encontradas em alguns tipos de câncer de pulmão e colorretal.

O estudo de fase 3 envolveu cerca de 500 pacientes. Entre aqueles que apresentavam mutações específicas do gene RAS, a sobrevida mediana alcançou 13,2 meses com o uso do medicamento, contra 6,6 meses entre os pacientes tratados apenas com quimioterapia. Além disso, houve redução de 60% no risco de morte e diminuição mensurável dos tumores em parte significativa dos participantes.

Especialistas consideram os resultados um avanço importante para um tipo de câncer que tradicionalmente apresenta poucas opções terapêuticas eficazes após a progressão da doença. A expectativa agora é que os dados sejam encaminhados às agências reguladoras para análise e possível aprovação do medicamento.

A empresa responsável pelo desenvolvimento do daraxonrasib informou que pretende solicitar autorização para comercialização nos Estados Unidos e em outros países. No Brasil, o tratamento ainda dependerá da avaliação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) antes de chegar aos pacientes.

Gustavo Monge