Pantanal preservado e com áreas privadas chama atenção em debate na Universidade de Harvard

- 10 abril





Apesar de manter cerca de 83% da vegetação nativa preservada, o Pantanal ainda é pouco conhecido fora do Brasil. A avaliação é do especialista Renato Roscoe, diretor do Instituto Taquari Vivo, após participação em debates realizados na Universidade de Harvard.

Segundo Roscoe, um dos pontos que mais surpreenderam o público internacional foi o fato de a conservação do bioma depender, em grande parte, de áreas privadas. Em Mato Grosso do Sul, cerca de 97% do território pantaneiro pertence a particulares, o que torna os produtores rurais peças fundamentais na preservação ambiental.

O tema foi discutido durante o Painel Pantanal, realizado dentro do Lemann Dialogue, que também contou com participação de representantes da área ambiental e da pecuária tradicional. O debate foi baseado em dados científicos, especialmente de pesquisas da Embrapa Pantanal, e abordou o histórico do bioma, a situação atual e os desafios futuros.

A pecuária, principal atividade econômica da região há mais de 200 anos, esteve no centro das discussões. Segundo o especialista, a atividade pode coexistir com a preservação ambiental, desde que seja conduzida de forma sustentável, com iniciativas que garantam a conservação da vegetação, da água e da biodiversidade.

Outro ponto abordado foi o impacto dos incêndios no bioma. De acordo com Roscoe, produtores rurais também demonstram preocupação com o avanço do fogo, agravado por períodos de seca severa, que prejudicam pastagens, infraestrutura e a produção.

Durante o encontro, também foram discutidas a necessidade de ampliar investimentos em conservação, fortalecer parcerias e incentivar a cooperação internacional. Apesar do crescente interesse, o Pantanal ainda tem menor visibilidade global quando comparado a outros biomas brasileiros, como a Amazônia.

A expectativa é que os debates resultem em uma publicação científica voltada à divulgação dos biomas brasileiros, ampliando o conhecimento internacional sobre o Pantanal e incentivando novas iniciativas de preservação e desenvolvimento sustentável na região.

Gustavo Monge