Pecuária impulsiona emissões e coloca Mato Grosso do Sul entre maiores poluidores do país
- 18 março
Mato Grosso do Sul figura entre os principais emissores de gases de efeito estufa do Brasil, com destaque para a força da agropecuária, especialmente a pecuária bovina. Os dados constam na nova edição do relatório do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG), com base em informações de 2024, que apontam o peso crescente do setor rural nas emissões nacionais.
Segundo o levantamento, o Estado é responsável por cerca de 45,2 milhões de toneladas de CO₂ equivalente apenas no setor agropecuário, o que representa 7,2% das emissões brasileiras desse segmento. Com esse volume, Mato Grosso do Sul aparece entre os seis maiores emissores do país. No ranking nacional, Mato Grosso lidera com 88,9 MtCO₂e, seguido por Goiás e Minas Gerais, ambos com volumes próximos de 59 MtCO₂e.
O relatório destaca que a principal fonte de emissão é o metano liberado pelo rebanho bovino, resultado da fermentação entérica — processo digestivo natural dos animais, mas altamente poluente. De acordo com o estudo, a pecuária responde sozinha por 51% das emissões brutas no Brasil, consolidando-se como o principal fator individual de impacto climático. Estados do Centro-Oeste, como Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás, ganham relevância nesse cenário devido à combinação de grandes rebanhos e expansão das áreas produtivas.
Outro ponto relevante é a influência do bioma Cerrado, que lidera as emissões no setor agropecuário no país. Como grande parte do território sul-mato-grossense está inserida nesse bioma, o dado reforça o papel estratégico do Estado no contexto nacional. Apesar disso, o relatório também traz um dado positivo: o Brasil registrou queda de 16,7% nas emissões brutas de gases de efeito estufa, impulsionada principalmente pela redução do desmatamento na Amazônia e no Cerrado.
Mesmo com a redução, o desafio climático permanece. A projeção para 2025 indica que o país ainda deve ficar acima da meta estabelecida no Acordo de Paris. Especialistas apontam que os esforços seguem concentrados no combate ao desmatamento, enquanto setores como energia e indústria avançam de forma mais lenta. Como resposta, o governo federal lançou o Plano Clima, que prevê reduzir entre 59% e 67% das emissões até 2035 e alcançar a neutralidade de carbono até 2050.
Gustavo Monge