Pesquisa analisa saliva para identificar sinais que podem auxiliar no diagnóstico do autismo
- 25 maio
Uma pesquisa desenvolvida desde 2020 investiga o uso de biomarcadores presentes na saliva como possível ferramenta complementar no apoio ao diagnóstico precoce do Transtorno do Espectro Autista (TEA). O estudo busca padrões biológicos que possam ajudar a identificar o transtorno de forma mais rápida e menos invasiva.
O projeto, chamado miRTEA, analisa microRNAs encontrados na saliva, moléculas que ajudam a regular a expressão dos genes e que podem apresentar alterações em pessoas autistas. A proposta é desenvolver um método molecular que complemente as avaliações comportamentais já utilizadas por profissionais de saúde.
Segundo a professora e pesquisadora da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), Alinne Castro, a intenção não é substituir o diagnóstico clínico, mas oferecer mais uma ferramenta de apoio. “A gente não fornece diagnóstico. Essa é uma abordagem para apoiar que o diagnóstico clínico seja mais eficiente e mais rápido”, explica.
A pesquisa conta nesta fase com a participação de 60 adultos autistas atendidos por instituições especializadas em Campo Grande. A escolha por adultos ocorreu por critérios científicos, já que esse grupo possui diagnóstico consolidado e menos variáveis relacionadas ao desenvolvimento.
O estudo utiliza amostras de saliva coletadas de forma simples e não invasiva, com o objetivo de evitar desconforto aos participantes. A partir dessas análises, os pesquisadores buscam identificar padrões de microRNAs associados ao TEA.
Segundo a pesquisadora, um dos principais desafios do trabalho foi justamente encontrar adultos autistas para participar do estudo, já que muitos deixam de receber acompanhamento após a adolescência.
A fase atual da pesquisa deve ser concluída no primeiro semestre de 2026. Depois disso, a equipe pretende iniciar estudos com crianças e adolescentes, para verificar se os mesmos padrões encontrados nos adultos também aparecem em outras faixas etárias.
Gustavo Monge