Pesquisa da UFMS reduz crescimento de tumor em até 99,6% e aponta avanço na quimioterapia
- 04 março
Um estudo desenvolvido na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul pode representar um avanço no tratamento do câncer ao propor uma forma de tornar a quimioterapia mais eficaz e menos agressiva ao organismo. A pesquisa alcançou, em testes experimentais, redução de até 99,6% no crescimento de tumores, utilizando nanotecnologia para direcionar os medicamentos diretamente às células cancerígenas.
A iniciativa conta com apoio da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso do Sul e da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação de Mato Grosso do Sul. O projeto desenvolveu nanopartículas de sílica, estruturas microscópicas que funcionam como “veículos” capazes de transportar os fármacos até o tumor com maior precisão, preservando a atividade anticâncer mesmo em concentrações menores.
Nos testes laboratoriais, as nanopartículas demonstraram alta capacidade de impedir a multiplicação das células tumorais e maior seletividade na atuação, atingindo principalmente as células doentes e reduzindo o impacto sobre tecidos saudáveis. Em fase posterior, a combinação dos medicamentos citarabina e doxorrubicina apresentou os melhores resultados, com redução superior a 90% no peso dos tumores analisados.
O estudo também utilizou ácido fólico como mecanismo de direcionamento, aproveitando a alta presença de receptores dessa substância em células cancerígenas. Além dos resultados científicos, o projeto já gerou pedidos de patente e apresenta potencial de transferência tecnológica, inclusive com possibilidade de aplicação futura no Sistema Único de Saúde, ampliando perspectivas para tratamentos oncológicos mais eficazes e acessíveis.
Gustavo Monge