Planta aquática reduz antibióticos e danos genéticos em peixes, aponta estudo da USP
- 17 março
Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de São Paulo revelou que uma planta aquática comum pode ajudar a reduzir a presença de antibióticos em rios e minimizar impactos em organismos aquáticos. A pesquisa identificou resíduos dessas substâncias no rio Piracicaba, no interior de São Paulo, e analisou seus efeitos em peixes e no ambiente.
O trabalho mostrou que diferentes classes de antibióticos se concentram principalmente durante períodos de estiagem, quando o volume de água é menor. Substâncias como a enrofloxacina e o cloranfenicol foram detectadas em sedimentos e até em peixes consumidos pela população, o que acende um alerta para possíveis riscos ambientais e à saúde.
Os pesquisadores também avaliaram o papel da planta Salvinia auriculata, conhecida por se espalhar facilmente em ambientes aquáticos. Em laboratório, a espécie demonstrou alta eficiência na remoção de alguns antibióticos da água, chegando a eliminar mais de 95% de determinados compostos em poucos dias.
Além da redução da contaminação, o estudo apontou que a presença da planta pode diminuir danos genéticos em peixes expostos a substâncias tóxicas, como o cloranfenicol. No entanto, os cientistas alertam que o uso da planta exige cuidado, já que ela também pode alterar a forma como os contaminantes são absorvidos pelos organismos.
Apesar das limitações, a pesquisa indica que soluções naturais, como o uso de plantas aquáticas, podem integrar estratégias de baixo custo para combater a poluição. Os resultados reforçam a necessidade de monitoramento contínuo e de políticas para reduzir o descarte de antibióticos no meio ambiente.
Gustavo Monge