Por que os voos domésticos no Brasil são tão caros?

- 15 setembro





O Brasil lidera o ranking de passagens aéreas mais caras da América Latina, segundo a plataforma Mabrian. A média do bilhete doméstico é de US$ 135 (R$ 722), quase o dobro do valor praticado no Peru, de US$ 70. A diferença é perceptível em rotas de curta distância: enquanto um voo entre São Paulo e Rio de Janeiro pode custar R$ 740, percursos semelhantes em países vizinhos saem por menos da metade, como Buenos Aires–Córdoba por R$ 251 ou Bogotá–Medellín por R$ 165.

Entre os principais fatores apontados por analistas estão a ausência de companhias low cost, que em países como Chile e Colômbia oferecem tarifas menores com serviços pagos à parte, e a concentração de mercado, já que apenas três empresas — Gol, Azul e Latam — dominam praticamente todas as rotas nacionais. Esse cenário limita a concorrência e reduz as chances de preços mais competitivos.

O alto custo estrutural também pesa. Além do combustível de aviação, que representa uma fatia significativa das despesas, há ainda a carga tributária elevada, taxas aeroportuárias caras e a infraestrutura limitada do setor. Outro agravante é o ambiente regulatório e judicial: o Brasil lidera em número de processos contra companhias aéreas, o que aumenta riscos e despesas operacionais.

A extensão territorial do país amplia o desafio. Rotas longas, como as que conectam cidades do Norte ao Sudeste, têm custos maiores e menos opções de frequência, o que eleva os valores das passagens. Em algumas regiões, como Belém e Manaus, bilhetes de ida e volta podem ultrapassar R$ 2 mil, reforçando o peso da geografia na formação dos preços.

Sem mudanças estruturais que favoreçam maior concorrência e a entrada de novos modelos de negócios, a tendência é de que os preços sigam altos. Para 2025, a expectativa é de um aumento de 12,2% no valor das passagens no Brasil, enquanto no Peru, por exemplo, a alta prevista é de apenas 1,7%.

Gustavo Monge