Proteína da placenta vira esperança para recuperar movimentos após lesão medular

- 20 fevereiro





Uma pesquisa brasileira aposta em uma proteína presente na placenta humana para ajudar pacientes com lesões graves na medula espinhal a recuperar movimentos. O medicamento experimental, chamado polilaminina, é desenvolvido pela cientista Tatiana Coelho de Sampaio, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e está em fase de testes clínicos, segundo a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro.

A substância tem como base a laminina, proteína produzida naturalmente pelo organismo e abundante na placenta. Durante o desenvolvimento embrionário, ela atua como suporte estrutural para o crescimento e organização das células nervosas. A proposta dos pesquisadores é reorganizar essa proteína na forma de polilaminina, criando um ambiente favorável para que neurônios danificados consigam se reconectar na área lesionada da medula.

Em casos de trauma — como acidentes de trânsito, quedas ou mergulhos — a comunicação entre cérebro e corpo pode ser interrompida, resultando em paraplegia ou tetraplegia. Um dos principais obstáculos para a recuperação é a formação de uma “cicatriz” no local da lesão, que dificulta a regeneração das conexões nervosas. A polilaminina busca justamente superar essa barreira, permitindo que os impulsos elétricos voltem a percorrer o trajeto interrompido.

Nos testes realizados até o momento, o medicamento é aplicado diretamente na medula espinhal, por meio de injeção no local da lesão. Estudos anteriores em animais mostraram resultados promissores, e os primeiros casos em humanos indicam potencial de recuperação motora, especialmente quando a aplicação ocorre precocemente.

O desenvolvimento clínico conta com parceria do Laboratório Cristália. Para que a terapia possa ser disponibilizada à população, ainda será necessária a conclusão das próximas fases de testes e a autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, responsável pela regulamentação de medicamentos no país.

Os pesquisadores seguem avaliando segurança, dosagem ideal e eficácia em maior escala. Caso os resultados iniciais sejam confirmados, a polilaminina poderá abrir novas perspectivas no tratamento de lesões medulares, área em que as alternativas terapêuticas ainda são limitadas.

Gustavo Monge