Resíduos da suinocultura viram fertilizante e ganham espaço no campo
- 06 maio
Uma alternativa sustentável começa a se consolidar na agricultura brasileira ao transformar dejetos de suínos em fertilizante de alto valor. Pesquisas conduzidas pela Embrapa apontam a estruvita como uma solução promissora para reduzir a dependência de fertilizantes fosfatados importados.
A estruvita é formada a partir da combinação de fosfato, magnésio e amônio, obtidos no reaproveitamento de resíduos animais. O que antes representava risco ambiental, com potencial de contaminação do solo e da água, passa a ser utilizado como insumo agrícola, dentro de um modelo de economia circular.
Um dos principais diferenciais do composto está na liberação gradual de nutrientes no solo. Diferente dos fertilizantes convencionais, a estruvita disponibiliza o fósforo de forma mais lenta, permitindo melhor absorção pelas plantas e reduzindo perdas, especialmente em solos onde o nutriente costuma ficar retido.
Resultados iniciais em lavouras, como a soja, indicam que o fertilizante pode atender parte significativa da demanda de fósforo sem comprometer a produtividade. Em alguns casos, o desempenho é semelhante ao dos produtos tradicionais, abrindo espaço para redução de custos e maior eficiência no uso de insumos.
Além dos ganhos no campo, a tecnologia também contribui para diminuir a dependência externa do Brasil em fertilizantes, reduzindo a exposição às oscilações do mercado internacional. Ao mesmo tempo, promove benefícios ambientais ao dar destino adequado aos resíduos e melhorar a gestão de nutrientes.
Ainda em fase de estudos mais aprofundados, a estruvita já surge como uma alternativa viável e inovadora, mostrando que desafios ambientais podem se transformar em oportunidades econômicas no setor agropecuário.
Gustavo Monge