Segundo dia sem ônibus eleva tarifas de aplicativos e valor por quilômetro mais que dobra em Campo Grande
- 16 dezembro
Campo Grande enfrentou nesta terça-feira o segundo dia consecutivo sem transporte coletivo urbano, em meio à continuidade da greve dos motoristas de ônibus. Sob chuva desde as primeiras horas da manhã, a paralisação voltou a impactar diretamente a rotina da população, especialmente de trabalhadores e estudantes que dependem do serviço para se deslocar pela cidade.
Com a frota parada, a demanda por aplicativos de transporte disparou e as tarifas subiram de forma expressiva. Por volta das 6h, uma corrida curta entre a região Centro-Oeste e o bairro Santa Fé chegava a custar mais de R$ 65 em categorias populares, enquanto em dias normais o mesmo trajeto não ultrapassa R$ 30. Em algumas modalidades, o preço variava conforme a oferta, mas permanecia bem acima da média.
Na prática, o valor por quilômetro mais que dobrou. Em uma das simulações, o custo saltou de cerca de R$ 7,50 para R$ 16,40 por quilômetro, reflexo direto do aumento da demanda causado pela ausência dos ônibus. As próprias plataformas alertavam os usuários sobre “preços mais altos do que o normal”.
Enquanto isso, pontos de ônibus e terminais permaneceram vazios em diferentes regiões da Capital. Muitos moradores recorreram a caronas, motocicletas por aplicativo ou longas caminhadas, cenário que se agravou nos bairros mais afastados do Centro. Idosos e pessoas com mobilidade reduzida estão entre os mais afetados pela paralisação.
A greve ocorre em meio a reivindicações por melhorias nas condições de trabalho e avanços salariais. Mesmo com decisão judicial que determina a circulação mínima de 70% da frota, considerada essencial, a categoria decidiu manter a paralisação. Uma audiência de conciliação entre o Consórcio Guaicurus e a Prefeitura de Campo Grande está prevista para esta quarta-feira, na tentativa de destravar o impasse.
Gustavo Monge