Submarino soviético afundado na Guerra Fria continua liberando radiação no fundo do mar, aponta estudo
- 26 março
Um submarino nuclear da antiga União Soviética, afundado há mais de três décadas no Mar da Noruega, segue liberando material radioativo no oceano. A constatação foi feita por pesquisadores do Instituto de Pesquisa Marinha da Noruega, que registraram pela primeira vez, em vídeo, o vazamento vindo da estrutura do navio submerso a cerca de 1.700 metros de profundidade.
A embarcação, identificada como K-278 Komsomolets, afundou em 1989 após um incêndio a bordo durante a Guerra Fria, causando a morte de 42 tripulantes. O submarino levava um reator nuclear e torpedos com ogivas contendo plutônio, material altamente radioativo. Desde então, os destroços permanecem no fundo do mar, levantando preocupações sobre possíveis impactos ambientais.
O estudo, publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, analisou dados coletados em 2019 por meio de submersíveis operados remotamente. Os pesquisadores identificaram uma pluma visível de material radioativo vazando de diferentes pontos do casco, incluindo um tubo de ventilação e áreas próximas ao compartimento do reator, além de níveis elevados de radionuclídeos e isótopos de plutônio na região.
Apesar da detecção de radiação acima do normal nas proximidades do submarino, os cientistas não encontraram evidências de impacto significativo na vida marinha local. Segundo os especialistas, o material radioativo tende a se diluir rapidamente na água, reduzindo o alcance da contaminação. Amostras coletadas também indicaram que os torpedos permanecem intactos, graças a reforços estruturais aplicados pela Rússia na década de 1990.
A remoção do submarino, no entanto, é considerada uma operação complexa e arriscada. Autoridades já avaliaram que qualquer tentativa de resgate pode aumentar o risco de liberação de material radioativo, inclusive para a atmosfera. Diante disso, a prioridade dos pesquisadores é monitorar o comportamento do vazamento e compreender por que ele ocorre de forma intermitente, além de avaliar se há aceleração do processo com o avanço da corrosão do reator.
Gustavo Monge