Surto de chikungunya paralisa aulas em aldeias indígenas de Dourados
- 18 março
O surto de chikungunya que atinge a população indígena de Dourados, em Mato Grosso do Sul, provocou a suspensão das aulas em quatro escolas da aldeia Jaguapiru a partir desta terça-feira (18). A medida também deve alcançar unidades da aldeia Bororó, conforme documento assinado por lideranças locais, diante do avanço da doença entre funcionários das escolas.
Segundo o cacique Vilmar Machado, o número de profissionais afastados inviabiliza a continuidade das atividades. Na Escola Estadual Indígena Guateka Marçal de Souza, mais de 20 funcionários estão de atestado médico devido à doença. “O quadro de funcionários já está bem defasado, não dá para ter aulas”, afirmou, cobrando respostas das autoridades para o controle do surto.
O problema é agravado pela falta de abastecimento regular de água nas aldeias, que obriga famílias a armazenarem água em recipientes improvisados, favorecendo a reprodução do mosquito transmissor da chikungunya. Equipes da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), do Hospital Universitário e da Força Nacional do SUS foram mobilizadas para atender a população, mas a situação continua considerada epidêmica, com quatro mortes confirmadas em 2026.
Outro fator crítico é a paralisação do transporte de saúde, que compromete atendimentos básicos na reserva. A interrupção ocorreu após a quebra de contrato entre o DSEI-MS e a empresa responsável pelos veículos, deixando profissionais e pacientes sem transporte para visitas domiciliares e tratamentos contínuos. Até o momento, não há previsão de normalização do serviço, e atendimentos têm sido realizados de forma improvisada em espaços comunitários.
A situação preocupa líderes e moradores, que dependem da ação rápida das autoridades para conter o surto e garantir cuidados médicos adequados. A Prefeitura de Dourados informou que, por enquanto, as aulas seguem na rede municipal, mas a realidade nas escolas indígenas continua impactada pelo avanço da doença e pela escassez de recursos essenciais.
Gustavo Monge