Tempo de tela entre jovens cresce nas últimas décadas e dispara após pandemia
- 31 março
O tempo que crianças e adolescentes passam em frente a telas aumentou significativamente nas últimas três décadas, com crescimento ainda mais acelerado após a pandemia de Covid-19. A constatação é de uma revisão sistemática conduzida por pesquisadores da Universidade de Turku, na Finlândia, que analisou dados de estudos realizados entre 1991 e 2022.
A pesquisa reúne 60 estudos e aponta que, antes da pandemia, o uso de dispositivos digitais já apresentava tendência de alta, com média de cerca de três horas diárias. No entanto, durante o período de isolamento social, esse tempo ultrapassou quatro horas por dia, impulsionado pela necessidade de aulas remotas, comunicação online e entretenimento.
Segundo os pesquisadores, a mudança no perfil de consumo também contribuiu para o aumento. Se antes a principal tela era a televisão, a partir da década de 2010 os dispositivos móveis, como celulares e tablets, passaram a dominar o cotidiano, favorecendo um uso mais frequente e prolongado.
O estudo indica ainda que o crescimento do tempo de tela ocorre em todas as classes sociais, embora seja mais evidente entre jovens de maior nível socioeconômico, que têm maior acesso a aparelhos digitais. A fase da adolescência, marcada pela intensificação das relações sociais, também contribui para a ampliação do uso das plataformas digitais.
Especialistas alertam que o uso excessivo pode trazer impactos à saúde física e mental, afetar o sono e expor os jovens a riscos como conteúdos inadequados e cyberbullying. Os autores defendem a necessidade de novas pesquisas que avaliem não apenas o tempo de uso, mas também a qualidade das atividades digitais e seus efeitos no desenvolvimento e bem-estar.
Gustavo Monge