Transporte coletivo acumula mais de 12 mil autuações por atrasos e falhas operacionais em Campo Grande
- 03 junho
A análise do contrato do transporte coletivo de Campo Grande avançou para uma etapa decisiva nesta semana com a apresentação de dados sobre a prestação do serviço durante audiência pública promovida pela Prefeitura. Entre os números divulgados pela Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran), o destaque foi para o registro de 12.279 autuações aplicadas ao Consórcio Guaicurus por descumprimento de horários entre os anos de 2021 e 2025.
O levantamento também apontou 3.444 autuações por omissão de viagens, situação em que o início, o fim ou todo o trajeto programado não foi registrado pelos sistemas de monitoramento. Além disso, foram identificadas 996 autuações por insuficiência de motoristas reservas e 882 por falta de veículos reservas para garantir a continuidade da operação.
Segundo a Agetran, outras irregularidades também foram registradas, incluindo atrasos no início das operações, ausência de veículos articulados previstos em contrato, descumprimento de itinerários e falhas no atendimento às determinações dos órgãos fiscalizadores. Na área de segurança operacional, foram contabilizadas mais de 1,3 mil autuações relacionadas à ausência ou defeito em equipamentos obrigatórios dos ônibus.
O relatório apontou ainda dificuldades estruturais para o planejamento do sistema. De acordo com a agência, não foram apresentados estudos atualizados sobre a origem e destino dos passageiros nem dados técnicos considerados fundamentais para a gestão eficiente do transporte coletivo da Capital. Entre 2020 e 2026, também foram realizadas 2.771 inspeções veiculares, resultando em dezenas de autuações por irregularidades.
Representantes do Consórcio Guaicurus contestaram a gravidade dos números, argumentando que as autuações representam uma parcela mínima diante das mais de 7 milhões de viagens realizadas no período. A concessionária também afirmou que a principal dificuldade enfrentada atualmente é a renovação da frota, defendendo a necessidade de uma revisão na remuneração do contrato. O relatório final da comissão responsável pela análise será entregue à prefeita Adriane Lopes nos próximos dias e servirá de base para a decisão sobre uma possível intervenção na concessão do transporte coletivo.
Gustavo Monge