Usina aponta causas externas para avanço de plantas no Rio Pardo e contesta responsabilidade

- 06 maio





A empresa responsável pela Usina Hidrelétrica Assis Chateaubriand, conhecida como Mimoso, em Ribas do Rio Pardo, atribuiu a proliferação de plantas aquáticas no Rio Pardo a fatores externos à operação da unidade. Em manifestação apresentada à Justiça no fim de abril, a Pantanal Energética sustenta que o fenômeno é resultado de impactos acumulados na bacia hidrográfica.

O posicionamento ocorre dentro de uma ação popular que pede a responsabilização da empresa e do Imasul por danos ambientais, incluindo a limpeza do reservatório e a suspensão da licença de operação. A defesa, no entanto, afirma que a presença de macrófitas não está diretamente ligada ao funcionamento da usina, instalada na região desde a década de 1970.

Entre os principais argumentos, a empresa destaca o rompimento da barragem no condomínio Nasa Park, ocorrido em agosto de 2024, como fator determinante. Segundo a usina, o episódio lançou grande volume de água, sedimentos e matéria orgânica no rio, alterando a qualidade da água e favorecendo a rápida proliferação das plantas aquáticas.

Outro ponto citado é a expansão da silvicultura na região, com o aumento das áreas de cultivo de eucalipto, que já ocupam mais de 16% da bacia. De acordo com a empresa, essa mudança no uso do solo contribui para o carreamento de nutrientes aos cursos d’água, intensificando o processo de eutrofização.

Relatórios de fiscalização também apontam a existência de múltiplas fontes de impacto ambiental ao longo do rio, incluindo atividades industriais e rurais, com registros de lançamento irregular de resíduos, erosão do solo e alterações em parâmetros da água, como nitrogênio e fósforo.

Diante do cenário, a usina afirma que o problema exige ações integradas e não pode ser atribuído a um único agente. A empresa informou ainda que tem adotado medidas para conter o avanço das plantas, como abertura controlada das comportas e retirada mecânica da vegetação, com redução recente da área afetada no reservatório.

Gustavo Monge