Vídeo raro mostra peixe entrando em raia-manta por abertura incomum no oceano

- 14 maio





Pesquisadores registraram um comportamento raro e surpreendente envolvendo peixes rêmora e raias-manta. As imagens, divulgadas em um estudo publicado na revista científica Ecology and Evolution, mostram rêmoras entrando na cloaca das raias — abertura usada para excreção, reprodução e eliminação de resíduos.

Conhecidas por “pegarem carona” em grandes animais marinhos, as rêmoras costumam se fixar no corpo de tubarões, baleias e raias por meio de uma estrutura em forma de ventosa localizada na cabeça. A relação normalmente é considerada benéfica para os peixes, que economizam energia durante deslocamentos e conseguem acesso facilitado a alimento e proteção.

No entanto, os novos registros chamaram atenção dos pesquisadores porque mostram as rêmoras indo além da superfície do corpo dos hospedeiros. Em alguns casos, os peixes chegaram a entrar parcialmente na cloaca das raias-manta, deixando apenas a cauda visível do lado de fora.

Em uma das observações descritas no estudo, um mergulhador acompanhava uma raia-manta-do-atlântico quando percebeu que uma rêmora se aproximou da região das nadadeiras pélvicas. Ao notar a presença humana, o peixe teria entrado rapidamente na abertura da raia. Segundo os cientistas, o movimento causou desconforto no animal, que chegou a estremecer antes de continuar nadando.

A descoberta reacendeu debates sobre a relação entre rêmoras e grandes animais marinhos. Até então, a convivência era vista principalmente como mutualismo ou comensalismo, relações em que pelo menos um dos lados se beneficia sem causar prejuízo significativo ao outro.

Agora, pesquisadores avaliam se parte dessas interações pode se aproximar do parasitismo, especialmente em situações em que as rêmoras provocam desconforto, ferimentos ou aumento do gasto de energia das raias. Estudos recentes também apontam que os peixes podem interferir na locomoção dos hospedeiros e até causar danos físicos ao se fixarem em regiões sensíveis do corpo.

Gustavo Monge